UM
DIA
Um dia, num futuro bem distante,
No dia em que mais ninguém lembre de mim;
Naquele dia que tenham se esquecido que eu já fui,
Que não mais lembrem o meu nome
(e nem mesmo saibam que eu
existi).
Eu sei que alguém vai lembrar de mim.
Ah! Eu sei que alguém vai sentir falta de mim.
E vai sentir falta, talvez pelo livro que eu não li,
Pelo texto que não escrevi,
Ou quem sabe pelo poema que nunca fiz,
Mas, sei que vai sentir falta de mim.
Talvez sinta falta da palavra que não falei,
Ou que sabe pela lágrima que não derramei,
Pelo sonho que não sonhei,
Ou, então, pela vida que nunca vivi.
E isso vai ser naquele dia que há de vir.
Naquele dia em que mais ninguém lembre de mim.
Nesse dia alguém vai sentir saudades
De minha vida não
vivida, ou ainda,
Da vida lamentada, da vida esperneada.
Da vida trocada por outra vida,
que também não foi vivida,
Mas todo pensam que vivi.
Naquele dia vão sentir falta de mim,
De verdade, não sei porque será.
Só sei que não será pela morte arrebatada,
Pelo nada na garganta
E muito menos, pelo silêncio nas entranhas. (JL. Guerrero)
