Poetas & Poemas

Poemas
Você é como as estrelas
Que mudam sempre de lugar
Você é como as estrelas
estão sempre a brilhar
Você é um  rio teimoso
que luta onde quer chegar
Um rio generoso
que deságua no mar
Fica aqui minha escrita
nesse pedacinho de papel
Que você é que nem as abelhas

um pouco ferrão, um muito de mel. (Almiro Vieira Filho)



Este poema é de autoria do grande poeta espanhol Ramón de Campoamor y Campoosorio, que viveu no século XIX e morreu em 1901.

Quien supiera escribir

Escribidme una carta, señor cura.
-Yá sé para quién es.
-¿Sabéis quién es, porque una noche oscura
nos visteis juntos? - Pues.

-Perdonad; mas... -No extraño ese tropiezo
La noche... la ocasión...
Dadme pluma y papel. Gracias; Empiezo:
Mi querido Ramón:

-Querido?... Pero, en fin, ya lo habéis puesto...
-Si no queréis... -¡Sí, sí!
-Qué triste estoy! ¿No es eso? - Por supuesto
-¡Qué triste estoy sin tí!

Una congoja, al empezar, me viene...
-¿Cómo sabéis mi mal?...
-Para un viejo, una niña siempre tiene
el pecho de cristal.

¿Qué es sin ti el mundo? Un valle de amargura.
¿Y contigo? - Un edén.

-Haced la letra clara, señor cura;
que lo entienda eso bien.

-El beso aquel que de marchar a punto
te dí...
 -¿Cómo sabéis?...
-Cuando se va y se viene y se está junto,
siempre... no os afentéis.

Y si volver tu afecto no procura,
tanto me harás sufrir...

-¿Sufrir y nada mas? No, señor cura,
¡que me voy a morir!

-¿Morir? ¿Sabéis que es ofender al cielo...
-Pues, sí señor ¡morir!
-Yo no pongo morir. - ¡ Qué hombre de hielo!
¡Quién supiera escribir!

II

¡Señor rector, señor rector! en vano
me queréis complacer,
si no encarnan los signos de la mano
todo el sér de mi ser.

Escribidle, por Dios, que el alma mía
ya en mí no quiere estar;
que la pena no me ahoga cada día...
porque puedo llorar.

Que mis labios las rosas de su aliento,
no se saben abrir;
que olvidan de la risa el movimiento
a fuerza de sentir.

Que mis ojos, que el tiene por tan bellos,
cargados con mi afán,
como no tienen quien se mire en ellos,
cerrados siempre están.

Que es, de cuántos tormentos he sufrido,
la ausencia el más atroz;
que es un perpetuo sueño de mi oído
el eco de su voz...

Que siendo por su causa, el alma mía
¡goza tanto en sufrir!...
Dios mío, ¡cuántas cosas le diría
si supiera escribir!...

III

EPILOGO

-Pues señor, ¡bravo amor! Copio y concluyo;
A don Ramón... En fin,
que es inútil saber para esto arguyo
ni el griego ni el latín.-




Casa Arrumada - Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) 

Casa arrumada  é assim:
 
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação 

e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, 
um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando 
os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras 
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, 
que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela 
de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a 
qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.
 







Uma amiga me enviou. O que lhe saí da alma, o que vem de seu coração. São sentimentos de um momento, sentimentos de uma vida.  Sentimentos que nos fazem continuar a crescer, andar, esperar. Esperar não sei o que , mas continuamos a esperar.

Te amo,resumo de tudo
que fala de tudo
mas falar te amo como se deve
pega prova e entristece.
Olham como querem,
esquecem o sentimento.
Só olham a maldade.
sinceridade?
Amo meu pai, minha mãe, meu filho
um amigo, meu marido
usava tanto, hoje deixo de lado, 
ao lado de palavras que já não posso usar. 
palavras que quando Deus usa
restaura a ferida, 
abraça a alma abatida, 
levanta o caído, 
tira a tristeza, 
trás alegria.
palavra que quando dita,
derruba barreira,
atravessa fronteira,
abre o mar,
faz tudo parar,
faz tudo mudar.
no meio de tantas palavras,
já não sei qual usar 
para no papel expressar
o que no coração teima estar.

Suzana - Hortoladia